Criar e Ser

Cristiano Almeida é um filósofo de alma, criança sábia e adulto psicanalista que no brincar de ler e ser reflexo de tantos autores e artistas, nos presenteia com um texto-proposta de uma atividade bem Loucamente Sã.

Criar e Ser

O psicanalista inglês Donald W. Winnicott certa vez pontuou que “Para ser criativa, uma pessoa tem que existir: ter um sentimento de existência”, ou seja, primeiro ser, experienciar sua individualidade para depois “fazer”, dar algo ao mundo e a si mesmo de forma genuína e integrada.

O autoconhecimento e a consciência sobre o que integra nossa personalidade, necessitam da diferenciação de algumas dependências que nos fizeram/fazem acreditar, por exemplo: “a vida é assim mesmo, do jeito que já a encontramos”… Winnicott, através do seu trabalho clínico, ajudou muitas crianças a adquirir o sentimento de individualidade, de poder caminhar com suas próprias pernas e então, existir.

Tá, mas isso é para crianças? Sim, incluindo àquelas já crescidas.

A criatividade parece latente na forma infantil de ser, “Pois arte é infância. Arte significa não saber que o mundo já existe, para criar um. Puras possibilidades. Puros desejos”. Assim escreveu o maravilhoso poeta Checo Rainer M. Rilke. Há claras semelhanças entre Rilke e o psicanalista (existe muita poesia na psicanálise, acredite) referido, note: “A criatividade é a capacidade de criar o mundo” (Winnicott).

Ainda sobre crianças, criatividade é inerente ao brincar (pense sobre isso e tire suas próprias reflexões, se eu for escrever sobre, ficará textão, eu me empolgo com essas coisas).

Seria o trabalho do psicólogo/psicanalista, acompanhar a criatividade, ou seja, a invenção de si mesmo do paciente? Oferecer um lugar em trabalho clínico onde ele possa encontrar algo mais forte em si mesmo (self) para então, criar e ser? Winnicott alertava que “O sintoma de uma vida não criativa é o sentimento de que nada tem significado, de futilidade, de que nada importa”. Ainda assim, a busca desenfreada por gratificações, realizações, em que se encontra a nossa atualidade, dificulta, cada vez mais, esse viver criativo defendido pelo psicanalista.

E então? Precisamos ser criativos para sair da situação em que nós mesmos convencionamos, não?

Proponho-te um desafio:

Crie uma oportunidade de manifestar seu impulso criativo e dê fluxo a ele.

Depois, compartilhe aqui com a gente.

Dê-se o direito de surpreender a si mesmo, confie em sua originalidade – principalmente a inesperada.

Faça Vida.

Faça Alma!

In: Sebastião Salgado – Perfume de Sonho


Sugestões de leitura:

RILKE: Cartas a um jovem poeta e A melodia das coisas.

Winnicott: O brincar e a realidade e Tudo começa em casa.

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